terça-feira, 27 de maio de 2008

Água Amarga


Vou tomar da xícara e me calar. Não deixar o aroma negro escapar fora da boca. Angustiar-me-ei com o silêncio. Balbuciar café. Sorrir café. Blasfemar café. Não falar café... suspirar.

Guardar segredo deste sabor, que me rouba o sono, causa fugor e me vicia em seu tom pretinho quando não há companhia. Moreno açucarado com doses do mascavo e autoritário em cor avermelhada se possuir um pouco de canela. Um diplomata com meus problemas.

Na ponta do cigarro flama com finco o fogo beijador. A alquimia da fumaça e líquido bate contra o paladar, rodopia em minha saliva e morre no suspiro de alívio.

Vou gozando logo ali, aos resmungos e de olhos fechados, esperando um novo gole. Uma história. Ou seria o Amor? ... apenas um gole.